Projetos selecionados - 2025
MAORA-SIG: Mapeamento e análise da ocupação romana no Alentejo com Sistemas de Informação Geográfica – Pedro Trapero Fernández (Universidade de Cádis)
O projeto tem como objetivo principal a criação de uma base de dados SIG (Sistema de Informação Geográfica) para analisar a distribuição e organização do povoamento romano no Alentejo. Com uma abordagem interdisciplinar que integra arqueologia, geografia e tecnologia, pretende-se oferecer novas interpretações sobre a organização territorial romana, contribuindo para o conhecimento e valorização do património arqueológico da região.
O Alentejo, devido à sua baixa densidade populacional, preserva características que possibilitam um estudo detalhado do passado romano e da transformação da paisagem ao longo dos séculos. A utilização do SIG permitirá mapear assentamentos, analisar o ambiente envolvente e compreender melhor a relação entre esses locais, os recursos naturais e as vias de comunicação.
O projeto decorrerá ao longo de três anos. No primeiro ano, serão recolhidas e digitalizadas fontes bibliográficas e cartográficas, como cartas arqueológicas e mapas militares. Além disso, serão recuperados dados do Portal do Arqueólogo e outras bases. A conversão desses dados para SIG permitirá uma análise espacial detalhada. No segundo ano, será desenvolvida a plataforma WebSIG, que possibilitará a visualização interativa dos dados e facilitará as análises espaciais. Também será realizada prospeção arqueológica, com foco no distrito de Évora, onde há menos estudos. No terceiro ano, concluir-se-ão as análises espaciais, a WebSIG será disponibilizada publicamente.
O projeto tem como objetivo realizar análises espaciais que contribuam para uma melhor compreensão da distribuição do povoamento romano, sua relação com os recursos naturais e as redes de comunicação, permitindo formular novas hipóteses sobre cidades romanas ainda não documentadas. Espera-se publicar pelo menos três artigos e assistência das três conferências internacionais, com a colaboração da Universidade de Évora e Cádiz.
Além disso, o projeto tem um forte componente de disseminação, pois a WebSIG permitirá uma visualização interativa dos dados, facilitando o acesso às informações por investigadores, autoridades locais e o público em geral. A plataforma poderá ainda impulsionar o turismo cultural no Alentejo, através da criação de rotas turísticas baseadas no povoamento romano. O projeto contará também com a colaboração de instituições académicas e trabalhará em conjunto com autoridades locais e entidades turísticas para garantir a aplicação prática dos resultados.”
Cestos Biográficos: Uma Etnografia da Resistência, Memória Patrimonialização em Gonçalo – Maria Rafaela Matos Aleixo (Universidade Nova de Lisboa)
O presente projeto foca-se na análise antropológica da Cestaria de Gonçalo e das suas potencialidades no presente. De acordo com o antropólogo Galhano (s.d.), Gonçalo foi o berço da cestaria fina do país e o local originário de todos os cesteiros em Portugal (que se dedicam a este tipo de cestaria). Inicialmente, os cestos eram fabricados em oficinas domésticas, mas foi durante o salazarismo que passaram a ser fabricados de forma massificada em fábricas que se criaram na aldeia. Assim, foram-se construindo mais modelos e estes objetos de cestaria foram conquistando o espaço das nossas casas. Com a Revolução dos Cravos, as fábricas que existiam encerraram e a comunidade cesteira juntou-se para fundar a “Cescoope – Cooperativa Operária de Gonçalo” que se manteve em funcionamento até ao final do século XX. Com o aparecimento dos objetos de plástico, uma indústria de cestaria fora de Portugal mais competitiva e o crescente desaparecimento destes objetos do uso quotidiano, o fabrico de cestaria em Gonçalo entrou em falência e a cooperativa acabou por encerrar. Atualmente, a atividade da cestaria é reconfigurada para novos projetos aliados ao design e à presença em museus, existindo desde o fecho da cooperativa uma intenção em fundar um museu de cestaria na vila.
Este projeto pretende analisar no presente as várias temporalidades evocadas pela comunidade cesteira. Através desse reconhecimento espera-se que este trabalho suscite novos usos da cestaria e uma valorização alargada desta atividade artesanal. O seu desenvolvimento percorreu diferentes períodos históricos e conjunturas políticas e económicas, ao longo das quais se reconstruiu em modelos de organização distintos. Esta capacidade de resiliência contrasta com o declínio atual da sua produção. Neste quadro as opções possíveis para a manutenção da sua relevância associam-se às narrativas patrimoniais e às indústrias criativas, o que evidencia a forma como este objeto está sujeito a diferentes categorizações que alteram o modo de vida dos seus produtores. Assim, pretende-se compreender como estes reagem a estas transformações e re-significam o objeto num contexto de tensões entre o global e o local, a tradição e a modernidade. O cesto como objeto unificador destes processos materializa a intenção deste projeto em construir uma “biografia material” (Hoskins 2006) da comunidade que o invoca, iluminando as mundividências associadas à cestaria e dando impulso a uma possível continuação da atividade no futuro.
BioRanger – Corredores Ecológicos Digitais: Monitorização da Biodiversidade e Pastoreio Sustentável na Paisagem da Bazágueda – Rogério Pais Dionísio, Ana Paula Neves Ferreira da Silva, João Renato Caramona Belo Sebastião e Luís Cláudio de Brito Brandão Guerreiro Quinta-Nova (Instituto Politécnico de Castelo Branco)
O projeto BioRanger propõe uma solução digital integrada para a monitorização da biodiversidade e a utilização sustentável do solo nas encostas do rio Bazágueda, no centro de Portugal. A área de intervenção liga zonas ecologicamente críticas entre a Reserva Natural da Serra da Malcata, florestas de eucalipto geridas pela The Navigator Company e pastagens utilizadas por criadores das raças ovina “Churra do Campo” e bovina “Jarmelista”. Estas paisagens ricas enfrentam ameaças como a fragmentação do habitat, o pastoreio insustentável e as alterações climáticas.
O BioRanger irá estabelecer um “corredor ecológico digital” resiliente, usando redes de sensores baseadas em LoRa, coleiras GPS, cercas virtuais e análise assistida por inteligência artificial para monitorizar, em tempo real, o comportamento animal, indicadores dos ecossistemas e riscos ambientais. O sistema funcionará fora da rede elétrica, com infraestruturas alimentadas por energia solar, oferecendo um modelo replicável para zonas remotas do Mediterrâneo.
O projeto irá gerar dados ecológicos de base, ferramentas de previsão de risco e estratégias de gestão, como planos de pastoreio rotativo e delimitação de zonas tampão. Os atores locais – criadores, entidades de conservação da natureza e gestores florestais – serão envolvidos através de uma abordagem participativa e multidisciplinar.
Será criado um Biodiversity Living Lab na Quinta da Bazágueda, que funcionará como um centro permanente de investigação, demonstração e envolvimento da comunidade. O Living Lab acolherá ensaios de campo, ações de formação e estudos-piloto, promovendo a transferência de conhecimento e a inovação na gestão sustentável do território.
Os resultados serão divulgados por meio de publicações científicas, ferramentas de acesso aberto e atividades de sensibilização regionais. Ao articular conservação da natureza, sistemas pecuários tradicionais e silvicultura sustentável, o BioRanger apoia os objetivos portugueses de conectividade ecológica e resiliência climática, em alinhamento com a Estratégia Europeia de Biodiversidade para 2030.
ToyMobi – Aprender e Desenvolver – Mateus Alves Victorelli (Instituto Politécnico da Guarda)
O projeto ToyMobi dedica-se ao desenvolvimento conteúdos, produtos e serviços que promovem o autodesenvolvimento, melhorando as competências cognitivas, comunicativas, sensoriais, sociais e emocionais.
Oferecemos uma variedade de produtos, incluindo livros, e-books, audio-books, aplicações e jogos para dispositivos móveis (smartphones e tablets). Elaboramos histórias infantis que abordam temas relevantes, tais como saúde, inclusão, educação especial e competências socioemocionais.
Desenvolvemos aplicações e jogos para smartphones e tablets com design apelativo e uma excelente experiência de utilizador, combinando a vertente lúdica com a educativa, proporcionando diversão e entretenimento através de jogos casuais e educativos.
Promovemos o ensino da computação para crianças, jovens e adultos através da aprendizagem STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática), além de mentoria e I&D para profissionais e empresas.
A ToyMobi trabalha em três categorias:
– Aprender e educar: baseados em histórias infantis que abordam temas relacionados com a saúde, a inclusão, a educação especial e as competências socioemocionais, entre outros. Isto engloba a criação de diversos produtos, tais como livros, e-books, audio-books, aplicações e jogos, além de materiais educativos e informativos.
– Aprender e brincar: produtos digitais que associação a vertente lúdica à educativa por meio de jogos educativos e casuais, proporcionando diversão e entretenimento. Estas aplicações e jogos estarão disponíveis para diversos dispositivos, como smartphones, tablets e computadores.
– Aprender e desenvolver: Desenvolver aulas visando incentivar o ensino de competências relacionadas à STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática). Será destinada principalmente a promover o ensino da computação para as populações que apresentam maior dificuldade de acesso às tecnologias, principalmente as pessoas com alguma deficiência ou limitação.
Para o CEI – IIT, a ToyMobi irá focar no segmento Aprender e Desenvolver, o motivo é a existência de uma parceria com o Associação Desenvolver o Talento. A ADoT foi constituída no dia 4 de janeiro de 2010, na Guarda. Tem como objetivos apoiar e promover ações e iniciativas destinadas a favorecer o desenvolvimento das capacidades de excelência. Apoia e promove ações e iniciativas destinadas a favorecer o desenvolvimento das capacidades de excelência de jovens e adultos.”
Geodiversidade, Geoturismo e Geoconservação: um estudo sobre o processo de implantação do Estrela Geopark, em Portugal e as repercussões na escala local – Regiane Silvestrini (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e Universidade de Coimbra)
Portugal conta com seis Geoparques Mundiais da UNESCO: Naturtejo, Arouca, Açores, Terras de Cavaleiros, Oeste e Estrela. O Estrela, reconhecido em 2020, destaca-se por sua localização no ponto mais alto de Portugal continental, com uma paisagem marcada pela glaciação quaternária e uma forte atuação nas áreas de conservação, educação e envolvimento comunitário. A experiência do Estrela Geopark é considerada exemplar na implementação das diretrizes da UNESCO, sendo, portanto, um modelo relevante para regiões com potencial a geoparques, como o Bodoquena-Pantanal no Brasil.
O Geopark Bodoquena-Pantanal (GBP), situado no interior do Estado de Mato Grosso do Sul, foi proposto em 2006 e submetido à Rede Global de Geoparques (GGN) em 2010, sendo indeferido em 2011 por não atender plenamente aos critérios exigidos. Dentre os fatores limitantes estão o desconhecimento da população local sobre o potencial geológico-cultural da região, a distância entre os municípios, a falta de articulação entre os setores turísticos e produtivos, e a exclusão de comunidades indígenas e pantaneiras.
Nesse contexto, o projeto propõe um intercâmbio técnico-científico com o Estrela Geopark, visando compreender os processos que levaram à sua chancela pela UNESCO. A proposta foca na análise do planejamento estratégico, organização da candidatura e, sobretudo, no engajamento comunitário e nas práticas de desenvolvimento sustentável adotadas. A partir disso, busca-se elaborar recomendações que possam subsidiar a reestruturação do projeto do GBP, valorizando elementos como geodiversidade, geoconservação, geoturismo, geoeducação, história e cultura local.
O objetivo final é contribuir para a superação das lacunas identificadas no projeto brasileiro, promovendo seu alinhamento às diretrizes da UNESCO por meio de ações embasadas cientificamente e sustentadas pela troca de experiências com os atores do Estrela Geopark e da Rede Europeia de Geoparques.